Cúrcuma para Gastrite – Benefícios, Estudos e Dicas

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Possuindo uma gama de propriedades, a cúrcuma é um erva utilizada na medicina chinesa e na Ayurveda há séculos. Também é muito apreciada na dieta mediterrânea, por seu sabor pungente.

São inúmeras as suas propriedades: anti-inflamatória, analgésica, antibacteriana, antitumoral, carminativa, digestiva e etc. Por esse motivo, é chamada de “tempero da vida”. Sua versatilidade tem despertado a atenção da ciência atual, e muitos estudos têm sido feitos nesse sentido.

Em diversas doenças, como Síndrome do Intestino Irritável, indigestão, inflamação, alterações hepáticas, pedras na vesícula, entre outras, já foi provada sua eficácia. É também utilizada para tratamento de úlceras, sendo assim indispensável e talvez a erva mais importante em qualquer dispensário de pronto socorro natural.

E quanto ao uso da cúrcuma para gastrite, será que também há benefícios da erva para essa condição? Vale a pena quem tem gastrite consumi-la com frequência?

Origem e usos

“Curcuma Longa” é seu nome latino, e provém da família do gengibre. Na Arábia, é conhecida como “Kurkum”, na China como “Jiang Huang” e “Haldi” em Hindu.

As propriedades curativas da cúrcuma estão no rizoma, que é usado para dar sabor, colorir e preservar alimentos. É tmbém utilizada para colorir mostardas, em caldos de galinha enlatados e picles. Foi codificada como suplemento alimentar “E100” em bebidas enlatadas, laticínios, sorvetes, iogurtes, bolos, biscoitos, pipoca, doces, molhos, cereais, gelatinas, etc.

Origina-se do Sul da Ásia, especialmente da Índia, mas é cultivada em muitas regiões temperadas no mundo. A Índia é a maior produtora, Jamaica e Peru, os maiores exportadores, e o Irã, o maior importador, depois do Reino Unido, Japão, Canadá e Oriente Médio.

A cúrcuma se tornou valiosa quando descobriu-se que o rizoma em forma de pó podia preservar o frescor e valores nutritivos dos alimentos. Foi originalmente utilizada em molhos e outros alimentos para melhorar as condições de estocagem, palatabilidade, e preservação. Devido a estas propriedades, seu papel foi vital na sobrevivência e sustentabilidade do Sul da Ásia, e valia mais do que ouro e pedras preciosas. Porém, a cúrcuma foi eventualmente substituída por conservantes mais baratos.

A cúrcuma possui centenas de constituintes moleculares, cada um com uma variedade de atividades biológicas. Existem pelo menos 20 moléculas que são antibióticas, 14 que são conhecidas como preventivos contra o câncer, 12 que são antitumorais, 12 anti-inflamatórias e há ainda pelo menos 10 antioxidantes.

Um banco de dados apresentou mais de 326 atividades biológicas conhecidas da cúrcuma. O rizoma é formado por 70% de carboidratos, 7% de proteínas, 4% de minerais e pelo menos 4% de óleos essenciais, alcalóides e 1% de resina.

O ingrediente ativo da cúrcuma é chamado de “curcumina”, embora em seu estado natural ela contenha apenas de 2 a 5% de curcumina. Essa é a substância responsável pela atividade biológica da cúrcuma.

Usada junto com pimenta preta, a cúrcuma se torna 2.000 vezes mais potente. Hoje em dia, a curcumina é extraída da cúrcuma, vendida como suplemento, e é base da maioria das pesquisas científicas.

Pesquisas

Pesquisas clínicas e de laboratório constataram que as dietas que incluem cúrcuma ou curcumina “estabilizam e protegem as biomoléculas no corpo, a nível molecular”, o que é comprovado na sua ação anticancerígena e antioxidante.

São os mesmos componentes que evitam a deterioração dos alimentos, protegendo o tecido vivo da degeneração, possivelmente estendendo o tempo de vida. Esses componentes podem funcionar através da proteção das biomoléculas diretamente, ou pela estimulação do mecanismo de defesa do corpo, que atua na desintoxicação, resultando na autocura do corpo de forma natural.

As estatísticas mostram que 98% de todas as doenças são controladas pela molécula chamada NF-Kappa B, uma proteína poderosa que promove uma resposta inflamatória anormal no corpo. O excesso de NF-Kappa B pode levar ao câncer, artrite e uma grande variedade de doenças.

Estudos mostram que a curcumina domina a NF-Kappa B, o que significa que pode ser feito um trabalho para prevenir quase todas as doenças que afetam nosso mundo hoje.

Estudos de seus benefícios para a saúde

Os cientistas estão começando a se conscientizar da importância da curcumina para o tratamento de doenças modernas. Muitos estudos têm sido conduzidos sobre os vários efeitos da curcumina no corpo, especialmente nos casos de câncer, mas também inclui o uso de cúrcuma para gastrite.

Vale ressaltar que tanto na Índia como no Paquistão, onde a cúrcuma faz parte da dieta básica, a incidência de câncer é muito baixa, comparada aos lugares onde não é consumida com regularidade.

A curcumina é também um dos mais estudados inibidores COX-2, que bloqueiam completamente a formação do câncer através da produção de enzimas, diminuindo a probabilidade da formação de células cancerosas ou crescimento. A curcumina também é rica em antioxidantes, que são importantes substâncias no combate de doenças, porque limpam as moléculas instáveis de oxigênio (os radicais livres), que podem danificar as células e causar doenças como o câncer. Outros antioxidantes e inibidores de COX-2 são as uvas vermelhas, chá verde, e própolis.

O Dr. Bhawal Aggarwal, que conduz pesquisas de câncer no Centro Jawaharlal Nehru, na Índia, afirma que “nunca encontramos um único caso de câncer onde a curcumina não tenha funcionado”. Embora as pesquisas atuais pareçam promissoras, há poucos testes a longo prazo realizados em um grande número de seres humanos.

A cúrcuma foi escolhida recentemente pelo Instituto Nacional do Câncer para estudos mais detalhados, de forma que tenhamos a expectativa de obter maiores resultados de pesquisas no futuro.

A cúrcuma também exerce uma atividade especial na purificação e nutrição da pele e do sangue, paralisando a dor e inchaço e sarando feridas rapidamente.

A cúrcuma também protege o fígado contra toxinas e o reconstrói após um ataque tóxico. Ela aumenta a secreção e movimento da bile, e é capaz de prevenir várias formas de doenças do fígado.

O uso excessivo de drogas ou álcool podem sobrecarregar o fígado e ocasionar doenças. Um estudo mostra que a curcumina bloqueia alguns efeitos colaterais do tabagismo. Cerca de 5 g de cúrcuma num copo com trigo, de manhã e à noite, durante um mês pode ativar e reconstruir o fígado. Em essência, a cúrcuma auxilia a manutenção da saúde do fígado, a fim de que possa realizar sua função de desintoxicar o corpo.

Benefícios da cúrcuma para gastrite

Há ainda importantes benefícios da cúrcuma para gastrite, pois suas propriedades se estendem a todo o sistema gastrointestinal, aumentando a flora intestinal e produzindo uma digestão saudável. Tradicionalmente, era usada para pessoas com estômago fraco, digestão pobre, dispepsia, parasitas, cólicas intestinais e para normalizar o metabolismo. Ela auxilia a digestão de proteínas e quebra de gorduras, facilitando a absorção.

A cúrcuma é também carminativa, e isso é fundamental para a saúde física e mental. Além disso, ela é um forte um protetor contra alimentos e materiais corrosivos ao estômago e intestinos.

Na Tailândia, em1989, foi realizado um estudo com cápsulas de 500 mg de curcumina, dadas a 116 adultos que sofriam de indigestão. Alguns receberam placebo e estavam distribuídos em 6 hospitais diferentes. Os resultados foram surpreendentes. 90% dos pacientes que ingeriram a curcumina sentiram alívio da indigestão, alguns parcialmente, outros totalmente, sete dias depois, enquanto que 53% do grupo que ingeriu o placebo sentiu apenas alívio.

A Organização Mundial de Saúde classifica a Helicobacter pylori, bactéria que vive no estômago, como carcinogênico de Classe 1. Mesmo nas pessoas mais infectadas, ela permanece assintomática. Os sintomas são de uma gastrite de pouco risco, e cerca de 5 a 10% delas eventualmente desenvolvem doenças duodenais ou gástricas graves – principalmente úlceras, mas também câncer.

Os médicos identificam a gastrite através dos sintomas que se apresentam, testes ou endoscopia. Os sintomas mais comuns são inchaço abdominal, indigestão, náusea, diarréia crônica, fezes pretas ou vômito de sangue.

A gastrite deve ser tratada imediatamente, caso contrário corre-se o risco de contrair câncer de estômago. A condição é tratada com uma combinação de fármacos que dependem da causa, aliados a uma dieta adequada.

A curcumina é um polifenol com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antibacteriais e antifúngicas. O consumo da cúrcuma para gastrite, portanto, pode diminuir os níveis de enzimas inflamatórias no corpo, e até mesmo melhorar a digestão, auxiliando na produção de bile na vesícula biliar.

Em 2001, num estudo sobre os efeitos da cúrcuma para gastrite e úlceras, descobriu-se que ela poderia aliviar os sintomas da gastrite dentro de poucas semanas. O estudo foi conduzido em 24 homens e 21 mulheres, na faixa de 16-60 anos, que passaram a ingerir 300 mg de cápsulas com cúrcuma em pó 5 vezes ao dia.

Os resultados foram avaliados após 4 semanas de tratamento. Em 12 casos, as úlceras desapareceram em 4 semanas, e em 18 casos, após 8 semanas. Os pacientes restantes não tinham úlceras, mas pareciam sofrer de gastrite, erosão do estômago e dispepsia. Não foi reportado nenhum efeito colateral, e todos os pacientes apresentaram funções hepáticas e renais normais.

Dicas

Os suplementos de cúrcuma para gastrite ou qualquer outra condição, quando tomados em excesso, podem causar indigestão, diarréia, náusea, tonturas. O tempero usado na alimentação é seguro para qualquer pessoa. Aqueles como problemas na vesícula biliar, gestantes e mães em período de amamentação ou outros prestes a se submeterem a uma cirurgia, além de pacientes diabéticos, devem evitar suplementos de cúrcuma.

Sempre consulte seu médico para conhecer a dose exata a ser utilizada na utilização de cúrcuma para gastrite.

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